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BISELLI+KATCHBORIAN: PROJETOS RECENTES


R$ 79,00
Com a tranquilidade de quem tabela há um quarto de século, Mario Biselli e Artur Katchborian lideram uma equipe de arquitetos que, apesar de fases difíceis e derrotas memoráveis, coleciona vitórias em concursos, prêmios e encargos significativos. O tento mais recente do time foi o desenho do novo terminal de passageiros do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Qual o segredo da dupla? Enquanto um arma a jogada, o outro se prepara para fazer o gol.

“O minimalismo não faz parte da minha cartilha”, afirmou Biselli enquanto fumava um charuto e olhava para a silhueta de Ilhabela, que se definiu conforme a lua cheia subiu do horizonte e clareou a noite. Nas suas costas estava a prova dos sete dessa frase: a casa em Guaecá, desenhada há cerca de dez anos. Situada na encosta, entre o final da área urbanizada e a mata, e é um exemplo daquilo que a crítica Ruth Verde Zein chamou de “admirável domínio formal e construtivo”. A parte da frente é uma espécie de proa, um mirante para o oceano. O beiral e a varanda, ambos de estrutura metálica, parecem se projetar, como querendo flutuar em direção ao mar. Os detalhes são requintados, como caixilhos que combinam madeira e alumínio. No interior predomina o espaço generoso, o coração da casa, talvez um indicador de aproximação com a escola paulista. Biselli reconhece que foi mais influenciado pela arquitetura estrangeira, que tenta se aproximar da arquitetura brasileira mas não consegue fazê-lo integralmente. E essa aproximação é necessária? “Estou fazendo um caminho inverso, gostando cada vez mais da arquitetura brasileira. Mas também procuro não me aproximar dela literalmente. Não reproduzo detalhes literais, tento ir ao âmago. Posso, por exemplo, fazer uma estrutura de quatro apoios de várias maneiras, como em arco, mas não precisa ser igualzinho ao Artigas”, revelou. (trecho de "O voo", de Fernando Serapião)
 
 
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Cidade contemporânea, para mim, é São Paulo. Nasci nesta cidade, num tipo de família não muito incomum nos anos 1950/60: italianos do pós-guerra, que vieram ao Brasil para empreender. São Paulo era uma boa escolha para quem deixava para trás uma Europa burocrática e estagnada, o frio tremendo e a neblina deprimente do Norte da Itália.
 
Com exceção de breves ausências, sempre morei em São Paulo. Seu crescimento explosivo trouxe muitos problemas, mas não sou saudosista. A cidade é, em essência, a mesma desde que a conheço: trabalho, negócios, entretenimento, cosmopolitismo, enfim, uma energia inesgotável. Mas é também déficit habitacional, decadência do centro, trânsito caótico e problemas de mobilidade urbana, favelamento das periferias e mesmo de algumas áreas centrais, impermeabilização do solo e alagamentos, maus-tratos com os rios e a paisagem, falta de segurança. Esse rol de problemas (uma ladainha de queixumes!) tem como contrapeso um formidável mundo de oportunidades e não impede que São Paulo seja muito atraente – do contrário iríamos todos embora. (trecho de "A cidade contemporânea", de Mario Biselli)
 

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No Centro de Arte e Educação, projetado por Biselli Katchborian Arquitetos (2008/2010), no bairro dos Pimentas, já são mais de 20 h e os espaços do edifício estão animados: em uma sala, pessoas de meia a inteira idades realizam atividades de expressão corporal; em outra, discutem atentamente algo sobre música, pois seus instrumentos descansam no chão. Do corredor-mezanino nada se ouve sobre tão importante assunto. Crianças correndo, jovens sentados, pessoas circulando livremente como se a realização da cidade ainda fosse possível na solidão noturna da periferia. Estamos em um edifício com explícito sentido público: a serviço da educação, a função mais importante para ser princípio de mundo ou de urbanidade como valor sociocultural. (trecho de "Alvorada, lá no morro, que beleza…", de Luís Antônio Jorge)
 


COLABORADORES

André Biselli Sauaia

André divide-se entre a arquitetura e a música. Quando Hermeto Pascoal foi ao escritório para ver sua encomenda, eles aproveitaram e “tiraram um som”. Para esta edição, foi um dos responsáveis pelas imagens em 3D.

Luís Antônio Jorge

Professor da FAU/USP, Luís Antônio Jorge é da mesma geração que Biselli e Katchborian. O autor de O desenho da janela (Annablume, 1995) relatou para Monolito seu encontro com o CEU Pimentas.

Mônica Machado Carvalho

Com trabalho pessoal focado em indumentárias Monolito – registro das vestes incomuns de famosos e anônimos –, Mônica fotografa para Monolito desde o nº1 o clima dos estúdios de arquitetura.

Tuca Vieira

Formado em letras pela USP, Tuca é fotógrafo desde 1991. Após sete anos clicando cidades para a Folha de S. Paulo, ele segue independente. Em Monolito, são suas as fotos da cidade contemporânea no ensaio de Biselli.


SUMÁRIO

Textos
Perfil: "O voo", de Fernando Serapião
Ensaio: “A cidade contemporânea”, de Mario Biselli
Crítica: “Alvorada, lá no morro, que beleza…”, de Luís Antônio Jorge

Obras selecionadas
Casa L.P.V.M (2001), São Sebastião, SP
Museu Nam Jane Paik (2003), Suwon, Coreia do Sul
Centro Judiciário (2006), Curitiba
Paço Municipal (2006), Hortolândia, SP
Casa T.R.D. (2008), Barueri, SP
Casa B.V. (2008), São Paulo
Centro Educacional Unificado (2009), Guarulhos, SP
Sesc Guarulhos (2009), Guarulhos, SP
Comperj (2009), Itaboraí, RJ
Casa B.R.M. (2009), Curitiba
Ampliação Colégio Cristo Rei (2009), São Paulo
Conjunto habitacional (2010), São Paulo
Terminal 3 do aeroporto internacional de Guarulhos (2010), Guarulhos, SP


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