English

MAURO MUNHOZ


R$ 84,00
No cenário arquitetônico, Mauro Munhoz é conhecido como o autor do Museu do Futebol e de primorosas casas de madeira com sotaque wrightiano. No mundo das letras, seu nome logo é associado à organização da Festa Literária Internacional de Paraty, um dos eventos culturais mais importantes do país. O que poucos sabem é que, para Munhoz, esses dois universos têm ponto de interseção: ele ajudou a criar a Flip como uma estratégia urbanística para colaborar no desenho dos espaços públicos de Paraty, como foi feito na recém-requalificada praça da Matriz.

Para espantar o frio atípico, um casaco de couro marrom-escuro que fazia as vezes de blazer, sobre a camisa azul-marinho, e o jeans tingido de preto compunham a indumentária de Munhoz, arquiteto que, aos 53 anos, dirige a Casa Azul, associação responsável pela Flip. Em 2012, a festa chega a sua décima edição. Na primeira, a expectativa era lotar os 200 lugares disponíveis, mas a programação com nomes de peso, como o do historiador inglês Eric Hobsbawn, trouxe mais de 5 mil interessados à pacata cidade de menos de 30 mil almas. Hoje, consolidada, a Flip faz parte do calendário cultural do país e, ao custo de 8,4 milhões de reais, atrai 25 mil visitantes ao longo de cinco dias. (trecho de "O homem-ponte", de Fernando Serapião)
 
 
*
 
Conheci Mauro Munhoz por acaso. Lili e eu havíamos passado o Carnaval no Rio, com um casal de editores ingleses, além de um editor alemão e seu acompanhante. Os últimos comportaram-se muito mal. Embebedaram-se, jogaram bitucas de charuto na piscina do Copacabana Palace e foram inconvenientes durante o desfile das escolas de samba. Os ingleses se juntaram a nós na indignação e curtimos o que foi possível na Marquês do Sapucaí, ignorando os outros membros do grupo. Assim começou minha amizade com Liz Calder e Louis Baum. Liz já havia morado no Brasil, com seu primeiro marido, e, tendo me conhecido na Feira do Livro de Frankfurt no ano anterior, decidiu voltar ao país que não via há décadas. Depois do Carnaval, com o Rio de Janeiro superlotado de turistas, ofereci-me para levar a ala inglesa dos convidados a Paraty. Além de fugir do resto do grupo, eu tinha a intenção de apresentar Amyr Klink a Liz, que, ao ouvir a história do navegador brasileiro, se interessara em publicá-la na Inglaterra. (trecho de "A casa da montanha", de Luiz Schwarcz)
 
 
*
 
Mauro Munhoz é um arquiteto inspirado. Seja ao idealizar um museu para o futebol sob a arquibancada do estádio histórico do Pacaembu ou ao implantar casas de veraneio na paradisíaca baía de Paraty, ele sabe encontrar a resposta certa para a função e o sítio. A essa intuição em relação ao genius loci soma-se uma empatia por todos os envolvidos no projeto – clientes, usuários, engenheiros e operários –, o que torna sua obra única. (trecho de "Puro-sangue de madeira", de Dominique Gauzin-Müller)
 
 
*
 
O primeiro contato que tive com as inquietações projetuais de Mauro Munhoz foi quando, como aluno da graduação da FAU/USP, observei no Salão Caramelo seu trabalho final de curso, exposto junto com os demais. A memória que tenho do projeto já se enevoou pelo tempo, mas recordo que era uma intervenção em terreno vazio defronte à praça da República, no centro de São Paulo.
 
O aspecto mais marcante do projeto eram as formas e cores fortes, uma atitude ousada diante do discurso e da produção arquitetônica paulista hegemônicos na época, que privilegiavam a estrutura e os materiais aparentes, em particular o concreto armado. Percebia-se, em seus desenhos, um aluno que não temia seguir um caminho distinto, que procurava outras veredas de expressão e linguagem, sem medo da especulação experimental. Esse atrevimento era ainda maior se considerarmos o local, nas proximidades de obras consagradas de autores como Álvaro Vital Brazil (edifício Esther), Oscar Niemeyer (edifício Eiffel) e Franz Heep (edifício Itália). (trecho de "Presença wrightiana", de Paulo Fujioka)
 
 
*
 
O que arquitetura e literatura têm em comum? Ambas são uma forma de comunicação, são linguagens, expressões artísticas valiosas. Mas a arquitetura vive o paradoxo de, simultaneamente, ser e não ser arte. Ela carrega a função social de melhorar a vida dos homens, e seus frutos devem ir além do planejamento apenas correto e funcional ou do formalismo escultórico. A arquitetura só faz sentido quando pensada como terreno coletivo… (trecho de "A leitura e o desenho", de Mauro Munhoz)
 


COLABORADORES

Dominique Gauzin-Müller

Crítica de arquitetura, Dominique estuda sustentabilidade e o uso da madeira. É editora da revista francesa écologiK, publicada em Paris, e autora de Arquitetura ecológica (Senac, 2011). Esteve na Flip em 2011.

Fernando Serapião

O editor de Monolito acompanha o trabalho de Mauro Munhoz há 13 anos. Para escrever o perfil do arquiteto, acompanhou a rotina de Munhoz durante todos os dias da Flip de 2011.

Luiz Schwarcz

Editor da Companhia das Letras, Schwarcz participou da criação da Flip e acompanhou todas as edições. É autor de Discurso sobre o capim (Cia. das Letras, 2005) e para Monolito escreveu sobre a relação arquiteto-cliente.

Nelson Kon

Autor de todas as fotografias das obras de Munhoz – de Gonçalves a Paraty, de Campos do Jordão a São Paulo –, Kon é autor do ensaio de uma casa em construção em São Paulo. Neste ano, irá à Flip pela terceira vez.

Paulo Fujioka

Professor da Faculdade de Arquitetura da USP em São Carlos, Fujioka defendeu mestrado sobre a influência de Frank Lloyd Wright na arquitetura de São Paulo. Seu artigo na Monolito analisa os aspectos wrightianos na obra de Munhoz.


SUMÁRIO

Textos
Perfil: "O homem-ponte", de Fernando Serapião
Depoimento: "A casa da montanha", de Luiz Schwarcz
Crítica: "Puro-sangue de madeira", de Dominique Gauzin-Müller
Artigo: "Presença wrightiana", de Paulo Fujioka
Ensaio: "A leitura e o desenho", de Mauro Munhoz

Obras selecionadas
Casa Campos (1998/2000), Campos do Jordão, SP
Casa Sophia (2000/2002), São Paulo
Haras Polana (2001/2011), Campos do Jordão, SP
Casa Itu (2002/2003), Itu, SP
Casa Gonçalves (2004/2005), Gonçalves, MG
Hamburgueria Nacional (2004/2005), São Paulo
Museu do Futebol (2005/2008), São Paulo
Estúdios de cinema (2005/2009), Paulínia, SP
Praça da Matriz (2008/2009), Paraty, RJ
Biblioteca-parque (2011/_), Paraty, RJ


Copyright 2011 - 2017 • Editora Monolito • Todos os direitos reservados
Criação de Sites - Célula Ideias