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JOVENS ARQUITETOS


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Ao fazer um raio X sobre os jovens arquitetos brasileiros, esta edição dá continuidade a uma tradição iniciada na Módulo há 30 anos, quando foi publicada uma reportagem sobre o tema. Na sequência, sempre com intervalo de dez anos, a revista Projeto realizou duas edições. Agora, fizemos uma pré-seleção de 73 equipes com profissionais nascidos a partir de 1972. Escolhemos 16 projetos construídos em sete estados diferentes. O resultado revela mais diversidade do que unidade. O traço comum? A ambição dos profissionais e a crença no futuro.

Tudo começou num baile de Carnaval. Dali ao casamento foram poucos anos. Hoje, eles têm um filho e são sócios no escritório AR Arquitetos, iniciais dos sobrenomes de Marina Acayaba e Juan Pablo Rosenberg. Marina tateou o mundo protegida pela mais conhecida abóbada de concreto de São Paulo. Ela é filha de Marlene Acayaba, historiadora de arquitetura, e Marcos Acayaba, professor da FAU/USP (onde Marina estudou) e um dos principais nomes da arquitetura brasileira. (trecho de "Fragmentos da resistência", de Fernando Serapião)
 
 
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Estruturas metálicas leves, vermelhas e cobertas por vidros reflexivos envolvem a alvenaria de tijolo da fábrica da Nestlé, como braços aéreos e etéreos. O objetivo é dotar o edifício de um novo sistema de circulação, adaptando a indústria de chocolates a um uso renovado: o grande fluxo de visitação museológica. Suspenso, o público percorre as instalações fabris em uma cota propícia para o voyeurismo, enxergando de cima infinitas esteiras povoadas por exércitos de bombons em fila, que depois reaparecem embrulhados e empacotados. E se os bombons reais permanecem a distância das pessoas, o percurso é tomado por um intenso odor de chocolate, que se replica no caráter sinestésico da arquitetura. (trecho de "Chaminés pós-industriais", de Guilherme Wisnik)
 
 
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O Pavilhão Humanidade 2012, realizado por Carla Juaçaba e Bia Lessa na praia de Copacabana, será a obra arquitetônica mais lembrada da Conferência Rio +20, organizada pelas Nações Unidas na capital carioca. O primeiro impacto dessa experiência foi o milagre da aparição de um etéreo edifício retangular de 170 x 40 x 20 metros, com múltiplos volumes suspensos no ar, flutuando sobre as sólidas construções do forte, e vê-lo desaparecer em menos de duas semanas. A segunda surpresa foi o enorme sucesso popular que levou mais de 200 mil pessoas a visitá-lo, com filas gigantescas. E, por último, a inédita experiência vivenciada no pavilhão, quase uma boîte à surprises, na alternância entre a circulação exterior nas rampas contínuas, delimitada pelos filtros metálicos da estrutura de andaimes, e o acesso ao misterioso e inesperado interior dos volumes expositivos. (trecho de "Festivos andaimes cariocas", de Roberto Segre)
 
 
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Olhando de fora, a arquitetura no Brasil desperta fascínio pela dualidade e ambiguidade de estímulos. Como país de contradições e de extremos, é esta capacidade de viver e crescer numa aparente incoerência que o torna especial.
 
Conhecida e desconhecida, a criatividade brasileira atrai pela sua capacidade de renovar mantendo a tradição. Essa posição, progressista mas conservadora, retrata sua sociedade. E mostra que a permanente reinvenção nas artes e na vida acaba por ser o principal protocolo de trabalho, como se uma recriação das condições do Brasil moderno que permitiram o aparecimento do Manifesto antropófago reaparecesse quase um século depois, novamente tardia em relação ao resto do mundo globalizado. (trecho de "Tupi or not tupi", de Carlos Pedro Sant'Ana)


COLABORADORES

Carlos Pedro Sant’Ana

Autor de dezenas de ensaios sobre jovens europeus, o arquiteto português nascido em Angola mudou-se para Ilhabela. Estreia em Monolito aos 39 anos, analisando a ambiguidade de estímulos do ateliê Nitsche Arquitetos.

Fernando Serapião

Após uma década, o editor de Monolito volta a organizar um número sobre a arquitetura dos jovens. Aos 40 anos, viajou 8.132 quilômetros para sentir o cheiro das obras apresentadas e olhar no olho dos autores.

Guilherme Wisnik

O curador da próxima Bienal de Arquitetura de São Paulo tem 40 anos e é professor da Escola da Cidade. Nesta edição sobre os imberbes, escreveu uma crítica sobre a fábrica de chocolates que dá água na boca.

Leonardo Finotti

Aos 35 anos, são dele dois terços das imagens dos projetos publicados nesta edição. Foi a Inhotim clicar os novos pavilhões que desafiam a eternidade e esteve no Rio na hora certa, registrando o pavilhão que já desapareceu.


SUMÁRIO

Textos
Cenas da vida: "Fragmentos da resistência", de Fernando Serapião
Crítica: "Chaminés pós-industriais", de Guilherme Wisnik
Artigo: "Festivos andaimes cariocas", de Roberto Segre
Ensaio: "Tupi or not tupi", de Carlos Pedro Sant’Ana

Arquitetos
AR Arquitetos, Casa dos Pátios, São Paulo
Sérgio Sampaio Arquitetura + Planejamento, Casa PV, Itu, SP
CR2 Arquitetura + FGMF Arquitetos , Casa 4 x 30, São Paulo
Metro Arquitetos Associados, Museu do Chocolate, Caçapava, SP
Rizoma, Pavilhões em Inhotim, Brumadinho, MG
Carla Juaçaba, Pavilhão Humanidade 2012, Rio de Janeiro
Studio Paralelo, Refúgio São Chico, São Francisco de Paula, RS
Domo Arquitetos, Sede da Posead, Brasília
Triptyque Architecture, Edifício Fidalga 727, São Paulo
Nitsche Arquitetos Associados, Edifício João Moura 1144, São Paulo
Play Arquitetura, Casa EG, Nova Lima, MG
Sotero Arquitetos, Tecnocentro, Salvador
Arquitetos Associados, BHTec, Belo Horizonte
MGS – Macedo, Gomes & Sobreira, Fundação Habitacional do Exército, Brasília
Corsi Hirano Arquitetos + R. Nishimura, Complexo Trabalhista, Goiânia


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