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GUSTAVO PENNA


R$ 84,00
Um dos principais arquitetos brasileiros de seu tempo, Gustavo Penna é autor de uma obra ímpar que usa as pedras do caminho para edificar poesia. Tal como a boa cozinha mineira, a obra dele é cozida em fogo baixo. Mas o segredo de sua receita é usar ingredientes que povoam seu imaginário, composto, entre outras coisas, pelo ensinamento topográfico do pai ausente e pela convivência com Humberto Serpa e Amilcar de Castro. Também fazem parte de suas especiarias a sensibilidade ambiental e algumas pitadas do pós-modernismo, de Louis Kahn à Álvaro Siza.

""Onde ele está? Você está vendo? É um sabiá!", disse Gustavo Penna cortando abruptamente a conversa. Curvando com agilidade seu corpanzil na cadeira em direção ao som, ele começou a se comunicar com a ave, imitando seu canto. O arquiteto parecia hipnotizado como se nenhum acontecimento pudesse lhe distrair. Quando o passarinho respondeu ao seu piar, Penna apontou o indicador na direção do bambuzal do terreno vizinho. Movimentou o dedo para cima e para baixo, arregalou os olhos, levantou a sobrancelha e, sem falar uma palavra, disse com os gestos algo como "você ouviu que ele respondeu?". Com pequenas alterações no roteiro, ele repetiu o diálogo com o bicudo até retomar a conversa do ponto interrompido, como se nada tivesse ocorrido." (trecho de "Avis rara", de Fernando Serapião)
 
 
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"No atual panorama da arquitetura brasileira, a obra de Gustavo Penna não pode ser analisada in abstracto, sem referência ao contexto mineiro a que ele pertence. No ancestral triângulo de relacionamento político e cultural – São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro –, os arquitetos locais mantiveram historicamente maior proximidade com a produção carioca que com a paulista. Primeiro, existiu no período colonial uma forte articulação econômica, quando o ouro e os diamantes eram exportados pelo porto do Rio de Janeiro. Segundo, na República do “café com leite” a presença dos mineiros na presidência: Afonso Pena, Venceslau Brás e Epitácio Pessoa. E terceiro, com a participação de intelectuais e políticos no governo de Getúlio Vargas, quando Gustavo Capanema e Carlos Drummond de Andrade constituiriam o exemplo mais significativo. Por último, nos anos 1940 e 1950, a importância cultural e arquitetônica de Juscelino Kubitschek, ao relacionar-se estreitamente com Oscar Niemeyer. Mas neste início de século o rumo mudou, e a jovem geração não se identifica mais com a tradicional herança carioca, nem com o questionamento pós-moderno dos anos 1980, e se sente atraída pelo cosmopolitismo paulista. Gustavo Penna está inserido nessas tensões da cultura arquitetônica mineira." (trecho de "Metáforas imagéticas", de Roberto Segre)
 


COLABORADORES

Ana Ottoni

Ana registrou Penna no jardim de seu escritório paulistano, na Vila Olímpia. A retratista de Monolito cresceu envolta pelo concreto, que agora regista em um ensaio fotográfico sobre a casa criada por seu pai.

Fernando Serapião

O editor de Monolito acompanha com lupa a rotina do escritório de Penna há dois anos. Em 2012, Serapião ganhou o prêmio Jabuti com o livro A arquitetura de Croce, Aflalo & Gasperini (Paralaxe, 2011).

Jomas Bragança

Após xeretar álbuns da família na infância em Itabira, Bragança redescobriu a fotografia em BH. Arquiteto, foi aluno de Penna e não se lembra mais qual foi a primeira obra dele que fotografou.

Leonardo Finotti

Mineiro de Uberlândia, Leonardo Finotti é autor de ensaios sobre diversas obras de Penna, como o Expominas, a Capela de Todos os Santos e a casa Lincoln. Para esta edição, fez um registro da construção da Forluz.

Roberto Segre

Autor de dois livros sobre o arquiteto – Gustavo Penna: Expominas (C4, 2007) e Gustavo Penna (Viana & Mosley, 2009) –, Segre analisou para Monolito a obra de Penna sob o viés da estrutura metálica.


SUMÁRIO

Textos
Perfil: "Avis rara", de Fernando Serapião
Artigo: "Metáfora imagéticas", de Roberto Segre

Obras selecionadas
Rede Bandeirantes (1984/1985), Belo Horizonte
Núcleo de Ensino e Extensão Comunitária (1986/1987), Belo Horizonte
Escola Guignard (1989/1994), Belo Horizonte
Academia Mineira de Letras (1990/1993), Belo Horizonte
Edifício Santiago de Compostela (1995/1998), Belo Horizonte
Expominas (1996/2006), Belo Horizonte
Museu de Congonhas (2005/_), Congonhas, MG
Casa Lincoln (2007/2009), Nova Lima, MG
Memorial da Imigração Japonesa (2007/2009), Belo Horizonte
Edifício Forluz (2008/_), Belo Horizonte
Novo Mineirão (2008/_), Belo Horizonte
Capela de Todos os Santos (2010), Martinho Campos, MG
Revitalizacão da área central de Araxá (2010/2012), Araxá, MG
Unifei – Campus Itabira (2011/_), Itabira, MG


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