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HIGIENÓPOLIS


R$ 89,00
Desde os anos 1930, o bairro paulistano de Higienópolis é palco de intensa construção de edifícios de apartamentos. Canibalizando palacetes que fizeram a fama aristocrática do bairro, exemplares criados por arquitetos como Rino Levi, Vilanova Artigas e Franz Heep são figurinhas carimbadas em enciclopédias da arquitetura. Contudo, eles são a ponta de um iceberg que permanece submerso, à espera de estudos aprofundados. Dos mais de 160 prédios listados pelo interesse arquitetônico, emergem 90 arquitetos.

Enquanto os estudantes rompiam o silêncio matinal, o aroma do café se espalhava dentro de um apartamento do edifício Lausanne. Protegida pelo manto da fachada colorida de venezianas com paletas móveis, a proprietária não se deu conta da bagunça que passava embaixo de sua janela. O óleo de Almeida Jr. entrou em cena quando ela se sentou para o desjejum. Ao compararmos a foto dela na cozinha com a tela do pintor ituano, percebemos que algo mudou nos últimos 125 anos. Mas nem tudo: as duas imagens na contraluz revelam cenas domésticas. Ou seja, mais de um século depois, o bairro conservou o perfil residencial. Mas isso não quer dizer que Higienópolis ficou isento da violenta transformação urbana brasileira. Atualmente, os moradores vivem nas alturas. Desde a metade dos anos 1930, os palacetes começaram a dar lugar aos edifícios de apartamentos, decisivos para a elite paulistana aceitar a moradia coletiva. (trecho de "Moderno nas alturas", de Fernando Serapião)
 
 
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Apesar de ser tratado como personagem secundário pelos historiadores, Adolf Franz Heep foi um dos mais importantes projetistas que atuaram no país no século passado. Em paralelo a Rino Levi e aos irmãos Roberto (do Rio de Janeiro), ele demonstrou que arquitetos e agentes imobiliários podem construir uma cidade de qualidade e ambientes adequados ao clima tropical. Nos 20 anos de ofício no país, Heep plantou ícones na paisagem paulistana, como o edifício Itália e a igreja de São Domingos, em Perdizes. Aportou no Brasil no pós-guerra com 45 anos de idade e em plena forma, ávido por projetar. Seu currículo era invejável: ele foi aluno de Walter Gropius em Frankfurt, nos anos 1920; e em Paris, na década seguinte, foi assistente de Le Corbusier. Ainda na capital francesa, Heep demostrou seu talento excepcional criando alguns dos mais notáveis prédios residenciais parisienses. Além do traço, estas obras chamam a atenção pelas inovações técnicas e construtivas, como armários divisórias nos dormitórios e paredes hidráulicas. Como observou Marcelo Barbosa, estudioso da obra de Heep, ao contrário de Corbusier e outros vanguardistas europeus financiados por mecenas, o alemão amadureceu profissionalmente atendendo ao mercado. Para Barbosa, o Lausanne é o ponto alto da transferência do saber que Heep trouxe na bagagem europeia. Mérito também do cliente, a construtora Auxiliar, dirigida pela família Helcer, que seguiu à risca mais de 250 folhas de desenho. “Ele era muito rigoroso, não era uma pessoa fácil, mas nosso relacionamento foi excelente”, conta o engenheiro Aizik Helcer. Curiosas são as aberturas com cantos arredondados: chamadas de janelas de ônibus, elas têm este formato para evitar ferrugem. De dentro do prédio, a moldura arredondada faz o moderno de Heep sintonizar-se com a art nouveau da Vila Penteado. (trecho de "Moderno nas alturas", de Fernando Serapião)
 


COLABORADORES

Andrés Sandoval

Ex-morador da cobertura do Lily, Sandoval é artista gráfico (e arquiteto formado na USP). Para Monolito, criou a estampa com personagens do bairro que ilustram a segunda e terceira capas.

Fernando Serapião

Para contar a história dos edifícios de apartamentos de Higienópolis, o editor da Monolito percorreu o bairro no mês mais quente da história. Esquivou-se de ovadas e de uma árvore, que quase caiu sobre seu carro.

Leonardo Finotti

Parando o trânsito ou subindo em marquises, Finotti colecionou imagens do bairro para sua pesquisa sobre o modernismo na América Latina. É autor das imagens desta edição, algumas expostas na galeria Pilar.

Reinaldo Higa

Responsável pela arte da Monolito desde a edição sobre as casas dos arquitetos, Higa agora conhece o nome dos prédios de Higienópolis olhando a fachada. Seu preferido? O Louveira.


SUMÁRIO

Textos
Perfil: "Moderno nas alturas", de Fernando Serapião

Obras selecionadas
Santa Amália (1942/1943), Lucjan Korngold/ Domingos Pascali
Prudência (1944/1948), Rino Levi e Roberto Cerqueira César
Louveira (1946/1949), João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi/ AR Arquitetos
Lily (1948/1953), Giancarlo Palanti
Bretagne (1952/1959), João Artacho Jurado
Paquita (1952/1959), Luz-Ar/ Claudio Libeskind e Sandra Llovet
Lausanne (1953/1958), Adolf Franz Heep/ Apiacás Arquitetos
Arper (1959/1962), David Libeskind/ Tânia Eustáquio
Juriti (1961/1964), João Kon/ Metro Arquitetos
Solar do Conde (1962/1965), Pedro Paulo de Melo Saraiva e José Maria Gandolfi
Parque de Higienópolis (1962/1969), Jonas Gordon/ Oksman Arquitetos
Abaeté (1963/1968), Abrahão Sanovicz
Barão de Pirapitingui (1968), Alberto Botti e Marc Rubin/ Felipe Rodrigues, Flávio Borsato e Tatiana Filgueiras


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