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RÉINVENTER PARIS: CONSÓRCIO URBEM/TRIPTYQUE


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Como o gestor público de uma metrópole pode arrecadar recursos e potencializar o tecido urbano estimulando o setor privado a inovar? Uma maneira de responder a esses desafios se materializou no chamamento público Réinventer Paris, que numa única iniciativa propôs um engenhoso modelo público-privado: vender imóveis municipais subutilizados para empreendedores aliados a projetos com pautas novas, de arranjos sociais complexos a experimentos ambientais de vanguarda.

“Fiquei totalmente encantado! Ela chegou e disse: ‘Acabaram os bairros tradicionais e a maneira antiga de pensar. Agora, temos que reinventar Paris’. Foi inacreditável!”, Olivier Raffaëlli relembrou algumas frases que escutou um ano e meio atrás. “Eu estava organizando minha volta para a França, levando mulher e filhas brasileiras, após 15 anos vivendo em São Paulo. Um das razões da mudança era justamente me concentrar nos concursos públicos franceses, eu estava cansado de trabalhar para o mercado, projetando muito e construindo pouco. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas aquilo era o que eu queria ouvir”, ele comenta, revendo sua euforia diante da prefeita da capital francesa.
 
Vestida de preto, Anne Hidalgo equilibrava-se de salto agulha no piso de alumínio xadrez. A plateia atenta escutava a política nascida na Espanha, naturalizada francesa aos 14 anos, que se apoiava num púlpito de acrílico. Ela é a primeira mulher à frente da prefeitura e foi eleita pelo Partido Socialista após ter um papel central no planejamento urbano durante a gestão anterior. Aos 56 anos, Hidalgo completava sete meses de governo lançando sua mais ambiciosa ação urbanística. A proposta instaurava uma disputa pela melhor ideia, mas não era um concurso de arquitetura nem licitação; estava atrelada a uma oferta de compra, mas também não era um leilão. O equilíbrio entre o prato da inovação e o do dinheiro não estava claro, mas levava os candidatos a entender que a balança tenderia para a criatividade. Mais do que transformar bens subutilizados em receita, a iniciativa estimulou o mundo capitalista a fomentar a diversidade urbana através, por exemplo, da mistura de usos e classes sociais ou da adoção de tecnologias inovadoras e sustentáveis. (trecho de “A grande ausência”, de Fernando Serapião)
 
 
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Uma semana depois da primeira conversa entre Yang e Olivier, um novo personagem entrou em cena: “Eles me chamaram pois estava faltando uma figura da área imobiliária”, conta o empreendedor francês Maxime Barkatz, de 35 anos, sócio da Ilion Partners. Ele mantinha uma empresa aberta em Paris, mas, naquele momento, seu interesse era o Brasil. “Era difícil não aceitar um desafio como esse, e eu queria trabalhar com o Philip.”
 
 
Os dois se conheceram em 2013, quando o agente imobiliário convidou o fundador do Urbem para um café após ler um perfil dele na revista Piauí. “Houve uma empatia, mas nada avançou”, lembra Yang. “O foco dele não era o negócio imobiliário”, completa Barkatz, que morou dois anos no Brasil na primeira parte da década de 2000. Na ocasião, ele fez intercâmbio na FGV enquanto estudava administração de empresas na França. Ele também aproveitou a temporada para coletar dados para um mestrado em história na Sorbonne sobre a mão de obra negra pós-abolição da escravatura. “Foi por prazer intelectual. Eu tinha uma graduação em história e o professor Luiz Felipe de Alencastro sugeriu a pesquisa quando soube que eu viria para o Brasil”, esclarece. (trecho de “A grande ausência”, de Fernando Serapião)
 
 
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O Consórcio Urbem/Triptyque conta com investimentos de doze escritórios de arquitetura e urbanismo em seis países – França, Brasil, Chile, Estados Unidos, Itália e Suíça –, de grandes instituições financeiras, de “ativistas urbanos”, de incorporadores imobiliários, sociólogos e advogados, todos empenhados na reflexão sobre o futuro das cidades, com o intuito de trazer à tona uma mentalidade de vanguarda diversificada e realista.
 
Assim, formou-se uma rede de atores da regeneração urbana, incluindo nomes tais como Paulo Mendes da Rocha (vencedor do prêmio Pritzker em 2006), Alexandros Washburn (ex-diretor de urbanismo da prefeitura de Nova York sob o mandato de Michael Bloomberg), arquitetos de renome internacional, tais como Carlo Ratti, Édouard François e Alejandro Aravena, instituições financeiras, como Bank of America Merrill Lynch, BTG Pactual e Leste Global Investment, além de jovens ativistas franco-brasileiros, como Alessandra Orofino e Miguel Lago, cuja plataforma de mobilização urbana recebeu um prêmio Google de Impacto Social em 2014. (trecho da Filosofia geral do Consórcio, Consórcio Urbem/Triptyque)
 
 


COLABORADORES

Fernando Serapião

Após acompanhar o desenvolvimento do Consórcio Urbem/Triptyque, o editor da Monolito entrevistou os membros e os projetistas para narrar a saga de responder ao chamamento com 12 propostas de arquitetos de cinco países.

Milton Braga

Curador de Arquitetura e Urbanismo do Urbem desde 2013, Braga é professor da FAUUSP e titular do escritório MMBB, criador da proposta do Clichy-Batignolles (17e) para o Consórcio Urbem/Triptyque.

Olivier Raffaëlli

Sócio da Triptyque, Olivier é o responsável pela sede parisiense do escritório, que esteve à frente do Morland. Ele é o fio condutor do consórcio, desde o lançamento até o aviso da prefeitura sobre o resultado.

Philip Yang

Fundador do Instituto Urbem, Yang entrou na cena urbanística brasileira há cinco anos e, se sua atuação começou centrada em São Paulo, ela se expandiu para iniciativas na Inglaterra e nos Estados Unidos.


SUMÁRIO

Textos
Reportagem: A notável ausência, Fernando Serapião
Plataforma: Filosofia geral do Consórcio, Consórcio Urbem/Triptyque

Obras selecionadas
Morland, Triptyque
Hôtel de Coulange, Philippe Rahm Architectes
Hôtel particulier, Studio MK27
Sous-station Voltaire, Paulo Mendes da Rocha
Gare Masséna, Joly&Loiret
Italie, Elemental/Alejandro Aravena
Pershing, Carlo Ratti Associati
Ternes-Villiers, NBBJ/Alex Washburn
Ourcq Jaurès, SPBR/Angelo Bucci
Ordener, Andrade Morettin
Clichy-Batignolles, MMBB
Triangle Eole-Evangile, Maison Edouard François


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