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SESC-SP: ARQUITETURA


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O Serviço Social do Comércio em São Paulo (Sesc-SP) começou a se relacionar com arquitetos há quase 70 anos, pouco após sua criação. Os ensaios iniciais incluíram o urbanismo modernizador e projetos à moda carioca, até que, na década de 1960, o programa foi formatado, materializando-se em unidades que agregam esporte e cultura.

O prédio da Associação Comercial de São Paulo, na rua Boa Vista, foi primeiro endereço do Sesc. Ocupando uma sala do 11º andar, a equipe pioneira tinha quatro funcionários, incluindo o diretor regional.
 
Dentre as várias possibilidades de prover “bem-estar”, assessores notáveis, de médicos a religiosos, escolheram o assistencialismo como mote de atuação, enfatizando a saúde. Pouco depois o leque cresceu, com itens como as “melhorias das condições de habitação e transporte”.
 
No final da década de 1940 foram inaugurados os primeiros centros sociais, a plataforma física de atuação, no Tatuapé, na Bela Vista e em Santana, e, em menos de dois anos, no interior e litoral. Eles ocupavam casas alugadas, os “casarões”, que acolhiam atividades diversas, como ações de ensino, esporte e cultura. O tópico mais importante era a saúde, com consultórios médicos, odontológicos e salas de raio X. Também eram organizados grupos de teatro amador, pintura e atividades que focavam a família, buscando complementação de renda. Por fim, o esporte, ainda tímido, ocupava quadras nos quintais. (trecho de “O programa", de Fernando Serapião)
 
 
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Após o concerto de Guiomar Novaes, não foi fácil o começo da vida do Carlão, apelido do espaço, inaugurado com o nome de Centro Cultural e Desportivo Carlos de Souza Nazareth. A instituição não tinha experiência em gerir um equipamento com 16,5 mil metros quadrados e, até então, só possuía dois ginásios: o galpão improvisado ao lado do casarão da Água Branca e o de Bertioga, criado por Castro Mello.
 
 
O primeiro ano foi o mais duro para o Carlão, contando apenas com a ala da frente, sem futebol nem piscina, e o teatro parado, aguardando aparelhagem eletrônica inglesa retida na alfândega. Para completar, o expediente dos comerciários esvaziava o prédio, e a solução foi atrair a estudantada da redondeza. (trecho de “O programa", de Fernando Serapião)
 
 
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Quando Lina chegou à antiga fábrica, em 1977, o Sesc-SP estava utilizando os galpões para atividades esportivas e culturais de maneira precária e provisória, com quadras de futebol com colunas no meio, telhados com infiltrações e poças d’água. Ela captou a atmosfera de felicidade, com crianças correndo, jovens esportistas, grupos improvisados de teatro e música, idosos em bailes amorosos… Enfim, um ambiente aconchegante e cheio de energia. “É isso o que devemos manter, nosso programa está pronto”, disse. (trecho de "Arquitetura de guerrilha", de Marcelo Ferraz)
 
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Em dezembro de 2013, o Sesc-SP iniciou um processo singular ao procurar uma faculdade de arquitetura para criar o desenho de uma nova unidade de sua rede. A instituição de ensino e o local da experiência também são singulares: a Escola da Cidade foi criada há 20 anos por uma associação de arquitetos, intelectuais e artistas com o objetivo de propor um ensino superior com programa flexível, e o terreno escolhido fica no Campo Limpo, um dos polos da zona sul paulistana, que possui mais de 2 milhões de habitantes em bairros com infraestrutura precária e altos índices de violência. “Zona sul cotidiano difícil”, escreveu o rapper Sabotage, um dos intérpretes do profuso caldo cultural da região. (trecho de "Processo e imaginário", de Laura Sobral)
 


COLABORADORES

Fernando Serapião

Após realizar 17 entrevistas e visitar 15 unidades do Sesc-SP, o editor da Monolito traçou um perfil da relação da instituição com o universo arquitetônico, revelando a origem e o desenvolvimento do programa.

José Moscardi

Principal fotógrafo a documentar a arquitetura paulista na metade do século passado, Moscardi (1916-1999) registrou a unidade de Marília, que ilustra o ensaio fotográfico desta edição.

Laura Sobral

Arquiteta e integrante do Instituto A Cidade Precisa de Você, a ativista em movimentos urbanos pelo direito à cidade escreveu sobre a experiência coletiva do desenho do Sesc Campo Limpo.

Leonardo Finotti

Depois de expor fotos do Sesc Pompeia na mostra sobre arquitetura moderna da América Latina no MoMA (NY), Finotti documentou, para esta Monolito, 15 unidades do Sesc-SP.

Marcelo Ferraz

Colaborador de Lina Bo Bardi no desenho do Sesc Pompeia, Ferraz lembra-se, no ensaio publicado nesta edição, de sete episódios que revelam a maneira de Lina trabalhar e que influenciaram no resultado do projeto.


SUMÁRIO

Textos
Reportagem: O programa, de Fernando Serapião
Ensaio: Arquitetura de guerrilha, de Marcelo Ferraz
Artigo: Processo e imaginário, de Laura Sobral

Ensaio fotográfico
José Moscardi

Projetos selecionados
Sesc Consolação (1961/1968), Icaro de Castro Mello e Alfredo Paesani
Sesc Pompeia (1977/1986), Lina Bo Bardi
Sesc Santos (1979/1986), Botti Rubin Arquitetos
Sesc Itaquera (1984/1992), Claudio Cianciarullo e Eduardo de Castro Mello
Sesc Ipiranga (1988/1992), Escritório Técnico Júlio Neves
Sesc Vila Mariana (1988/1997), Jerônimo Bonilha Esteves
Sesc Araraquara (1991/2000), Abrahão Sanovicz
Sesc Santo André (1992/2002), Tito Livio Frascino e Vasco de Mello
Sesc Pinheiros (1997/2004), Miguel Juliano
Sesc Belenzinho (1997/2010), Ricardo Chahin
Sesc Santo Amaro (2002/2011), Elito Arquitetos
Sesc Jundiaí (2004/2015), Teuba Arquitetura e Urbanismo
Sesc 24 de Maio (2000/2017), Paulo Mendes da Rocha e MMBB Arquitetos
Sesc Avenida Paulista (2004/2017), Königsberger Vannucchi
Sesc Franca (2013/_), SIAA e Apiacás Arquitetura


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