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MULHERES ARQUITETAS


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No Brasil, segundo pesquisa do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), as mulheres representam 61% da categoria. Entretanto, o protagonismo feminino é raro em prêmios, exposições, publicações e outras seleções que iluminam a produção. Esta incômoda discrepância ganhou destaque, pela terceira onda do feminismo, iniciada na década de 1990 mas que só recentemente impactou a disciplina. Para debater e compreender esse tema urgente, o Seminário Internacional “Onde estão as mulheres arquitetas?” reuniu especialistas no Centro Cultural São Paulo.

“Começamos hoje de manhã com o workshop e a presença de sete escolas de arquitetura”, Catherine Otondo relatou à plateia na abertura do Seminário Internacional “Onde estão as mulheres arquitetas?”. Conhecida pelos amigos como Cathe, ela vestia blusa branca com babado na gola e no colo, e uma malha preta a protegia do ar condicionado da Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).
 
No palco do teatro de arena, que ganhou o apelido de “ringue” durante o seminário, ela explicou a dinâmica do workshop, após nomear as instituições representadas ali por alunos participantes, advindos de quatro estados brasileiros. Durante os quatro dias do evento, que aconteceu entre 16 e 19 de maio de 2017, cerca de 50 estudantes se dividiriam em cinco equipes a fim de idealizar projetos para o piso inferior do espaço cultural. Compostas por 90% de mulheres, as equipes foram orientadas por professoras e monitoras que trabalharam durante as manhãs em um ambiente ao lado da sala do seminário.
 
 
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“Vocês não sabem a emoção que é ver tanta gente reunida”, exclamou Ana Gabriela Godinho Lima, convidada da roda de conversa inaugural, com início às 16h40, sobre a pesquisa sobre gênero na arquitetura.
 
Professora do Mackenzie, Ana Gabriela tem 46 anos. Ela é especialista no assunto e narrou como em 1995 surgiu seu interesse, no momento em que desejava estudar arquitetura latino-americana no mestrado. Ao expôr a seu orientador a intenção de analisar a obra de Rogelio Salmona, notável projetista colombiano, ela reparou no desânimo do interlocutor. Como alternativa, ele sugeriu a arquiteta chilena Glenda Kapstein. “Quando ele falou ‘arquiteta’, eu comecei a ver estrelas, luzes… Arquiteta, como eu nunca pensei nisso?”.
 
 
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Às 20h25, começou a palestra da arquiteta chilena Cazú Zegers. Expondo sobre a maneira de se projetar na América Latina, classificada por ela como low-tech, Cazú afirmou ser necessário “construir no território sinais que inaugurem uma paisagem cultural contemporânea. De alguma forma, precisamos assumir que somos herdeiros de um continente, que nós temos uma mensagem sobre ele e não temos mais as tradições que cada um trouxe de onde veio. Estamos numa nova terra e precisamos inventar uma cultura própria”.
 
Ela superou a timidez e uma crise nervosa, sofrida enquanto estudava arquitetura na Universidade Católica de Valparaíso, ao praticar motocross. Depois, viajando pelo Chile sobre duas rodas, apaixonou-se pela paisagem.
 
Assim, sua trajetória foi construída a partir de uma leitura particular do território chileno, realizada pela percepção do espaço e em atos poéticos. O território é a América, como os monumentos são a Europa, afirmou. 
 
 
 


COLABORADORES

Ana Gabriela Godinho Lima

Formada na FAUUSP em 1994, Ana Gabriela é professora do Mackenzie. Ela é pioneira na América Latina nos estudos de gênero em arquitetura e urbanismo, tendo dedicado ao tema seu mestrado e doutorado.

Catherine Otondo

Professora do Mackenzie e do IAU de São Carlos, ela foi a curadora do seminário juntamente com Marina Grinover, com quem também divide a direção do escritório Base Urbana, sediado em São Paulo.

Fernando Serapião

Editor da Monolito, Serapião escreveu a reportagem sobre o seminário, sendo um dos poucos homens que acompanhou os quatro dias do evento sobre as arquitetas mulheres no Centro Cultural São Paulo.

Joana Mello

Professora da FAUUSP e da Escola da Cidade, Joana é autora de O arquiteto e a produção da cidade (Annablume, 2012) e Ricardo Severo: Da arqueologia portuguesa à arquitetura brasileira (Annablume, 2007).

Maribel Aliaga

Professora da Universidade de Brasília, Maribel se formou em 1992 na Belas Artes, em São Paulo. Entre suas pesquisas atuais, destaca-se o mapeamento de todas as mulheres formadas ao longo dos 50 anos da UnB.


SUMÁRIO

Textos:
Reportagem: Agora é que são elas, de Fernando Serapião
Artigo: Gênero e processo de projeto, de Ana Gabriela Godinho Lima
Artigo: Três pioneiras do cerrado, de Maribel Aliaga
Artigo: Arquitetura e política, de Joana Mello
Artigo: Onde estão as mulheres arquitetas?, de Catherine Otondo

Projetos selecionados:
Hotel Tierra Patagonia (2005/2011), Torres del Paine, Cazú Zegers
Mostras fotográficas (2007, 2013, 2016), Lisboa, Viena, São Paulo, Michelle Jean de Castro
O2 Filmes (2008/2012), São Paulo, Cris Xavier
Escola Estadual Jardim Marisa (2008/2015), Campinas-SP, Helena Ayoub e César Shundi Iwamizu
Blocos de habitação na favela do Sapé (2010/2017), São Paulo, Marina Grinover, Catherine Otondo e Jorge Pessoa
Parque Sabesp-Butantã (2011/2013), São Paulo, Levisky Arquitetos
Estúdio 4 × 4 (2012/2013), Carapicuíba-SP, Teresa Mascaro
Arco do Tietê (2013), São Paulo, Anne Marie Sumner/Consórcio Candido Malta-FCTH
Casa Santa Teresa (2015/2017), Rio de Janeiro, Carla Juaçaba
Condutores (2016), São Paulo, O Grupo Inteiro
Sedes do IAB/DF e CAU/BR (2016/_), Brasília, São Paulo Arquitetos e COA Associados


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