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BURLE MARX


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Tal como um cristal que reflete a luz em várias direções, Roberto Burle Marx (1909-1994) foi um artista multifacetado. Flertou com a música e as artes plásticas, e seus jardins lhe renderam fama internacional. Autodidata, compartilhava informações com leveza e densidade, ganhando inúmeros discípulos. Haruyoshi Ono (1943-2017), seu parceiro de prancheta mais longevo, manteve a empresa por 23 anos, após o falecimento do mestre. Agora, depois de sua morte, cabe aos jovens da terceira geração do Escritório de Paisagismo Burle Marx perpetuar o legado.

“Sou muito mais burlesco do que marxista”, definia-se Roberto Burle Marx, gargalhando após repetir o trocadilho com seus sobrenomes. Seu possível parentesco com Karl Marx não foi comprovado, mas a hipótese merece atenção, pois o pai do paisagista cresceu em Trier, cidade natal do autor de O Capital.
 
Do pai o paisagista herdou o porte físico, o senso de humor, o talento para o desenho e o vasto bigode. De origem judaica, Wilhelm Marx comercializava couros e se estabeleceu no Brasil, no final do século 19, após trabalhar no Marrocos e nos Estados Unidos.
 
 
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“Um jovem artista de tendências modernas, o sr. Roberto Burle Marx, imaginou para Recife uma coisa interessante: a criação ali de um parque, onde fossem plantados mandacarus, cardos e outras plantas locais do Nordeste. A ideia é curiosíssima, e, que nos conste, até agora não tinha ocorrido a ninguém”, noticiou o Jornal do Brasil no final de março de 1935.
 
Burle Marx mudou-se para a cidade natal de sua mãe, convidado a assumir um cargo público e liderar projetos e reformas de jardins. O convite partiu do governador do estado, Carlos de Lima Cavalcanti, que se encantou com o jardim da casa Schwartz ao passear por Copacabana. 
 
 
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“Há entre nós pelo menos um grande paisagista, de renome universal, que, no ramo, rivaliza com o do próprio Niemeyer. Referimo-nos a Roberto Burle Marx”, afirmou um editorial do Jornal do Brasil de agosto de 1961, comentando a aridez da nova capital. O texto ponderou que “Burle Marx transformou a praia de Botafogo numa das principais atrações turísticas do Rio. E o mesmo já está fazendo para o aterro que futuramente irá desde o aeroporto Santos Dumont até o fim da avenida Rui Barbosa, prolongando em gigantesca promenade os jardins de Botafogo. Que faz então a prefeitura de Brasília que não chama Burle Marx para fazer florir o deserto na nova capital? Não acreditamos que o artista esteja tão ocupado com seus projetos para o Rio e para Caracas que não possa atender ao apelo do Planalto. E nem cremos que a má vontade da administração de Kubitschek para com o grande paisagista se haja comunicado a do sr. Jânio Quadros”.
 
 
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Nos últimos 10 anos de vida, ele foi se afastando dos projetos, acompanhando de longe o desenvolvimento liderado por Haru. Sua saúde se complicou em 1993, quando retirou o baço. No ano seguinte, uma operação detectou câncer no estômago. O sítio se transformou, e a alegria sumiu. Idealizou um ateliê de pintura no alto do morro e era carregado até lá para acompanhar a obra, que não viu pronta: Roberto Burle Marx morreu no sítio, à 0h35, do dia 4 de junho de 1994. Tinha 84 anos. Seu corpo foi velado no ateliê, com arranjos preparados pelos jardineiros, e foi enterrado no cemitério local, embaixo de uma mangueira.
 
Em testamento, foi generoso com todos ao redor, inclusive os jardineiros. O Escritório de Paisagismo Burle Marx ficou para Haru, que o manteve, criando projetos com a sua marca. Na última entrevista que deu, Burle Marx disse que “é preciso não ter medo de errar. É do erro que tiramos nossas conclusões”. 
 


COLABORADORES

Fernando Serapião

Seguindo as pistas de Burle Marx, o editor de Monolito foi do Leme à Barra do Guaratiba e conversou com antigos colaboradores, clientes, amigos e parceiros do paisagista.

Guilherme Mazza Dourado

Autor do livro Modernidade Verde: Jardins de Burle Marx (Editora Senac/ Edusp, 2009), Dourado é um dos maiores especialistas na obra do paisagista. Nesta edição, escreveu uma homenagem a Haru.

Leonardo Finotti

Autor das fotos da exposição Roberto Burle Marx: The Modernity of Landscape, montada em Paris, e de todas as fotos desta edição, Finotti ampliou seu acervo sobre o autor fazendo fotos aéreas com um drone.


SUMÁRIO

Textos:
Perfil: O arquiteto da paisagem, de Fernando Serapião
Artigo: Haruyoshi Ono, uma bela árvore, de Guilherme Mazza Dourado

Projetos selecionados:
Jardim da Casa Forte (1935), Recife
Praça Euclides da Cunha (1935), Recife
Complexo da Pampulha (1941), Belo Horizonte
Sítio Santo Antônio da Bica (1949), Rio de Janeiro
Residência Olivo Gomes (1950), São José dos Campos, SP
Residência Edmundo Cavanellas (1954), Petrópolis, RJ
Jardim do Museu de Arte Moderna (1954), Rio de Janeiro
Residência Francisco Matarazzo (1956), Rio de Janeiro
Parque Del Este (1956), Caracas
Parque do Flamengo (1961), Rio de Janeiro
Ministério de Relações Exteriores (1965), Brasília
Calçadão de Copacabana (1970), Rio de Janeiro


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