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CENTRO CULTURAL SÃO PAULO - ESPAÇO E VIDA


R$ 96,00
Criado no final da década de 70 pelos arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles, o Centro Cultural São Paulo foi o primeiro equipamento multicultural da cidade. Em 30 anos de vida, abrigou importantes manifestações de teatro, artes visuais, música e dança. As virtudes da rua foram reproduzidas na circulação interna, criando um paradigma no desenho de espaço público no Brasil.

 
O Centro Cultural São Paulo é o espaço público mais democrático da cidade. Apesar disto, por questões morais, ideológicas – em razão de ter sido erguido no regime militar, ou por suspeita de superfaturamento na sua construção –, a instituição foi abandonada por sucessivos governos. O CCSP foi resgatado pelos usuários e funcionários, que estabeleceram forte identidade com a instituição. (trecho de "Apresentação", de Carlos Augusto Calil)
 
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O Centro Cultural São Paulo ocupa um pedaço de terra que sobrou. Sobrou da construção da cidade. Uma nesga estreita, comprida e desbarrancada que sobreviveu apesar de sua condição de margem, do ponto de vista físico e metafórico. Pelo viés físico, a gleba tem cerca de 400 metros de comprimento e menos de 70 metros de largura; na menor distância, o desnível possui aproximadamente 10 metros de altura, o que a transforma em um imenso talude. (trecho de "Gênese", de Fernando Serapião)
 
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Tendo em mãos o programa funcional – documento que determinava o fluxograma e espaços e áreas necessárias para a nova biblioteca de São Paulo –, a Emurb abriu concorrência pública no início de 1976 para escolher o projeto de arquitetura. A Plae Arquitetura e Urbanismo, responsável pelo documento, venceu a disputa. Não existia qualquer impedimento legal que a excluísse da concorrência, apesar de seu envolvimento direto. A ausência de ilegalidades, contudo, não isentou os vencedores da acusação de falta de ética em discussões internas do departamento paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil –,1 presidido um ano antes por Eurico Prado Lopes, da Plae. Ele e o sócio, Luiz Telles, eram jovens, tinham menos de 40 anos, e a importância e a escala do projeto gerou ciúmes em colegas mais velhos, que os acusaram de favorecimento. Afinal, a nova biblioteca era um equipamento cultural como jamais a municipalidade construíra. (trecho de "Espaço", de Fernando Serapião)
 
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No final da manhã do dia 13 de maio de 1982, o trecho da rua Vergueiro em frente ao Centro Cultural São Paulo foi tomado por uma fileira de Opalas pretos com chapa branca. Estacionados a 45o, ocupavam uma faixa de trânsito. Enquanto a cerimônia de inauguração não começava, a banda militar distraía o público com músicas de Fagner e Roberto Carlos. Mario Chamie, Secretário Municipal da Cultura, caminhava entre os convidados, distribuindo santinhos com a imagem de sua cria. (trecho de "Vida", de Fernando Serapião)
 
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O som de uma voz e de um coro, acompanhados de percussão e metal, ecoou no início da tarde de domingo no grande vazio das rampas metálicas, fazendo pulsar o coração do espaço. O público, acomodado em todos os cantos, assistiu os músicos se deslocarem pela rampa. “A música não é sincronizada, ninguém canta junto. A ideia é de uma coisa coletiva e individual ao mesmo tempo”, explicou o regente Ricardo Bologna. A peça de música clássica contemporânea “Cortejos”, em cuja composição entram elementos de festas populares, do Carnaval ao congado, foi criada pelo compositor Eduardo Guimarães Álvares especialmente para os 30 anos do Centro Cultural São Paulo, festejado no dia 13 de maio de 2012. A data coincide com o aniversário da abolição da escravatura e Álvares contou que, por isso, “a temática é negra, mas eclética, como são ecléticos os frequentadores do centro”. “Também é papel do Centro Cultural fomentar a criação de música clássica contemporânea. Vou tentar fazer isso todo ano." (trecho de "Perspectiva", de Fernando Serapião)


SUMÁRIO

Apresentação
Carlos Augusto Calil

Gênese/ Espaço/ Vida/ Perspectiva
Fernando Serapião

Ensaios fotográficos
Cristiano Mascaro, Mauro Restiffe, Nelson Kon


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