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HUMBERTO SERPA: ARQUITETURA


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“Criação: único poder humano capaz de superar o tempo.” Essa frase de Humberto Serpa prenuncia a postura e, de certa forma, o mistério deste personagem que há cinco décadas habita o imaginário da arquitetura contemporânea mineira: bebendo em fontes norte-americanas e após ser influente professor, formador de discípulos importantes e autor de obras icônicas, como o edifício-sede do BDMG, ele abandonou o ofício aos 51 anos de idade.

Este livro é uma versão capa dura da Monolito #34: Humberto Serpa

As páginas a seguir delineiam um contorno inédito.
 
Humberto Serpa é um arquiteto improvável na cultura das novas gerações. Se a internet é a fonte de acesso mais evidente, a busca por “Humberto Serpa”, hoje, não resulta em mais de um punhado de resultados consistentes: algo como três dezenas de imagens efetivas, e nenhum vídeo. É sintomático que uma boa porção dessas referências esteja associada à autora do texto na presente edição.
 
Nara Grossi graduou-se em uma época em que ferramentas de busca já facilitavam a vida dos internautas. Mas seu conhecimento sobre Serpa veio da tradição oral do local em que se formou. Ora, em um país em que existem centenas de cursos de arquitetura, o que significa a “tradição oral” na educação dos arquitetos? Quando ela frequentou a Escola de Arquitetura da UFMG, Serpa já não integrava seu corpo docente. Mas a memória ainda estava fresca. (trecho de Outras mineiridades, de Hugo Segawa)
 
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Humberto José Serpa nasceu em Belo Horizonte em 1943, ano em que foi inaugurada a capela da Pampulha, símbolo da modernidade da gestão do prefeito Juscelino Kubitschek, com traço de Oscar Niemeyer e erigida como preâmbulo de Brasília. Como muitos belo-horizontinos da mesma geração, sua infância foi marcada pelo convívio com a lagoa.
 
Imigrantes, os Serpa têm origem italiana, enquanto a família materna é mineira de longa data. O nome é herança do avô paterno, que estudou belas-artes e trabalhou como marceneiro. Seu pai era fotógrafo e deixou um registro precioso da jovem capital mineira, documentando cenas urbanas e costumes sociais. O ambiente doméstico, repleto de música clássica e livros, estimulou sua petiz curiosidade. 
 
 
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O concurso do BDMG reverberou a construção de Brasília, que difundiu e fortaleceu o papel do arquiteto na concretização de iniciativas importantes. A propagação de certames públicos desse porte entre o final da década de 1960 e início da de 1970 também refletiu o milagre econômico brasileiro. Nesse período, aceleraram-se os investimentos governamentais em infraestrutura urbana, na construção de edifícios cívicos, administrativos, hospitalares, escolares e habitacionais, o que levou o Estado a passar por um processo de modernização burocrática.
 
Por ser uma tecnologia dominada pela engenharia brasileira, o concreto armado deu forma à maior parte desses edifícios institucionais. Sua difusão na forma aparente foi estimulada por projetos icônicos anteriores a Brasília, seja no exterior, como a unidade de habitação de Marselha (1947/52), de Le Corbusier, seja no Brasil, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1953/67), de Affonso Eduardo Reidy. Grosso modo, esse tipo de solução arquitetônica foi rotulado como “brutalista”, em referência a um movimento internacional complexo e com dezenas de vertentes.
 
 
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Enquanto o movimento moderno se enfraquecia com o desaparecimento de alguns de seus líderes na segunda metade da década de 1960 – Le Corbusier morreu em 1965 e Mies van der Rohe e Walter Gropius, em 1969 –, uma nova geração ganhou força, questionando o estilo internacional. No começo da década seguinte, por exemplo, elaborou-se uma evidente referência pós-moderna: o Centro Georges Pompidou (1973/1977), de Renzo Piano e Richard Rogers, que se tornou- o símbolo da Paris contemporânea ao explorar novas possibilidades tecnológicas, vivenciando um novo período de experimentação em que a atitude pós-moderna é assumida em toda a sua diversidade. 
 
 
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O lançamento de revistas especializadas no final da década de 1970 fomentou a reflexão em torno da produção brasileira. Se no Rio de Janeiro a Módulo ressurgiu em 1975 e, dois anos depois, nasceu em São Paulo a Projeto, na capital mineira um grupo de profissionais editou a Pampulha entre 1979 e 1985.
 


SUMÁRIO

Apresentação: Outras mineiridades, de Hugo Segawa
Posfácio, por Gustavo Penna

Ensaios fotográficos
Leonardo Finotti

Capítulos
1. Contexto de formação
2. Construção de uma trajetória
3. Afirmação de uma identidade
4. Liberdade do gesto
5. Projetando uma cidade
6. Espírito da época


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