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SKR, 30 ANOS: CONSTRUINDO A PAISAGEM


R$ 89,00
Em 30 anos, a SKR entregou cerca de 550 mil metros quadrados, entre empreendimentos comerciais e residenciais. Se ao longo de sua trajetória a incorporadora se adaptou à economia oferecendo produtos diversos ao mercado paulistano, os temas que a pautaram foram da pesquisa de materiais à reciclagem de edifícios. Suas obras agrupam tipologias com a mesma energia que dialogam com a cidade, ensaiando um discurso em parcerias com arquitetos de diferentes gerações, do veterano Gian Carlo Gasperini aos jovens do FGMF.

“Nós não tínhamos desenhado essa estante com uma forma diferente?”, perguntou Silvio Kozuchowicz a Thiago Rodrigues durante uma reunião no primeiro semestre de 2015. A pauta do encontro foi o layout que Rodrigues preparava para renovar a sede da SKR, construtora e incorporadora criada por Kozuchowicz. Antes de terminar a frase, o empreendedor, que tem 55 anos, percebeu o ato falho, mudou a feição e perguntou com cuidado: “Eu posso dizer nós, não posso?”. Em seguida, afinando a voz, ele questionou se o designer se importava em compartilhar a criação. “É que eu entendo o trabalho que fazemos aqui na SKR como coletivo”, justificou. “Claro que são os arquitetos que desenham. Mas, no final, nós moldamos os empreendimentos, o que me faz acreditar que, de certa forma, muitos são os autores: além dos arquitetos, os paisagistas, os arquitetos de interiores, os calculistas e os construtores.” Sócio do estúdio de design e arquitetura SuperLimão, Rodrigues tem 36 anos. Ele olhou seu cliente com seriedade, permaneceu alguns segundos em silêncio e o autorizou a falar “nós” para o ato da criação.
 
A estante desenhada por eles era parte do mobiliário do primeiro piso da sede da SKR, instalada nos dois últimos andares de um prédio de escritórios em São Paulo. Além de nova recepção, a reforma transformaria os 220 metros quadrados disponíveis, com metade da área destinada a convivência e a outra metade para o staff. (trecho de “Construindo a paisagem”, de Fernando Serapião)
 
 
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Na paisagem enquadrada pela janela da sala de reunião da incorporadora, chama a atenção um edifício na extremidade oposta ao de João Kon. Trata-se de um prédio de escritórios com 12 andares e 200 metros quadrados em cada laje. Se fosse pela dimensão e uso, ele seria mais uma construção anódina no skyline paulistano; contudo, observando com atenção, o volume ao alcance dos olhos possui predicados que o notabilizam. Primeiro, as decisões de desenho revelam sensível leitura da cidade, tanto na escala urbana (ao valorizar o ângulo mais próximo da esquina) quanto da escala do pedestre (notada na praça de acesso, que prolonga o espaço público para dentro do lote). Depois, os acabamentos potencializam as percepções: se o revestimento de granito da fachada é frisado de maneira incomum e possui detalhes que só o olhar atento percebe, a entrada é definida por texturas e materiais contrastantes. (trecho de “Construindo a paisagem”, de Fernando Serapião)
 
 
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Simultaneamente, Bucci recebeu outra encomenda da SKR. Trata-se de um prédio com unidades residenciais em Moema que ocupará a antiga estrutura de um edifício anônimo de escritórios construído na década de 1980. Para levar às últimas consequências o conceito de residencial de serviço, o empreendimento adentrará a escala do mobiliário, criando parceria com a Decameron, que produz e comercializa peças com design contemporâneo. “Fomos estimulados a criar móveis adequados ao usuário contemporâneo, deixando no passado os ambientes tradicionais, com sofá, mesinha lateral e mesa de centro, por exemplo. Se as pessoas e as famílias mudaram, o mobiliário também precisa mudar”, relatou Marcus Ferreira, designer e sócio da empresa. O mobiliário criado para o empreendimento será transformado em produto de linha que poderá ser comprado por qualquer cliente. (trecho de “Construindo a paisagem”, de Fernando Serapião)
 
 
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Pensar em engessar uma área urbana só tem sentido se essa área se configura com certa unidade histórica e com valores arquitetônicos intrínsecos, além de ter uma tipologia que representa a estrutura social familiar de uma época.
 
Formular uma transformação não pode se restringir apenas à leitura dos coeficientes estabelecidos no Plano Diretor. Este também estabelece conceitos que permitem complementações, formando uma jurisprudência que contribui para uma cultura de projeto. (trecho de “Uma intervenção na inevitabilidade da transformação”, de Héctor Vigliecca)
 
 


SUMÁRIO

Textos
Perfil: Construindo a paisagem, de Fernando Serapião
Ensaio: Uma intervenção na inevitabilidade da transformação, de Héctor Vigliecca

Ensaio fotográfico
Nelson Kon

Projetos selecionados
Atlantis (1992/1995), São Paulo, Isay Weinfeld e Marcio Kogan
Nautilus (1994/1997), São Sebastião, SP, Bruno Padovano e Héctor Vigliecca
Antares (1996/1999), São Paulo, Isay Weinfeld e Marcio Kogan
Palazzo Merano (1996/2000), São Paulo, Aflalo & Gasperini
Palazzo Ducale (1997/2001), São Paulo, Donini Arquitetos Associados
Atrium VII (2001/2005), São Paulo, Aflalo & Gasperini
Positano (2001/2005), São Paulo, Aflalo & Gasperini
Fascino (2001/2006), São Paulo, Aflalo & Gasperini
Escritórios Europa (2007/2010), São Paulo, Reinach Mendonça Arquitetos Associados
Unitt (2010/2014), São Paulo, Basiches Arquitetos Associados e Adesa Arquitetura
Pascal 1777 (2010/2014), São Paulo, Basiches Arquitetos Associados e Adesa Arquitetura
A/MO (2013/_), São Paulo, Angelo Bucci
Moou (2014/_), São Paulo, FGMF Arquitetos
JFL Vila Olímpia (2014/_), São Paulo, Angelo Bucci
Edifício na Vila Ipojuca (2014/_), São Paulo, Vigliecca & Associados


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